quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Momento de Santidade



A sala é a mesma, passam das 10h da manhã. Em leitura reflectiva algumas crônicas para não deixar tudo desapercebido. O livro na mão e os pensamentos voam sem mais dar atenção merecida para o conteúdo tão bom que há no livro. Bom? Sim trata-se de Machado, algumas de suas crônicas, e passou então a lembrar de quanto era pecador, lembrava de cada ato que decepcionava seus aprendizados religiosos, como que vivia e não se comformava com algumas leis morais de Deus, sim, não havia em suas mãos nada guardado para apresentar em louvor em suas atitudes.
havia matado um inseto que lutava pela vida, mas sem nenhum respeito pela vida, deu uma grande sapatada naquele pobre bicho que mal sabia o porque da sua maneira santa de viver localizado na terra sua missão que era apenas voar e tirar a paciência das vidas racionais humanas. Teria também cobiçado a biblioteca de seu chefe e imaginava-se lá sentado com as pernas sobre a mesa sendo servido por serviçais seu chá predileto sob a releitura de clássicos, quando ainda concluía este pecado sobreveio não deixando terminar outro pecado que o deixava envergonhado: O furto da revista semanal de seu vizinho. Nunca tinha feito isso mas quando viu a capa tratando sobre a 2° guerra mundial, um tema predileto para ele, amava história, não resistiu, teve uma compulsão carnal, que vergonha logo ele que dizia que dos outros nem uma agulha sequer deveria ser pega. Mas, não resistiu e quando se viu já estava dentro da sua casa folheando uma revista que tinha identificado outro nome que não era o dele... ah, quanta vergonha, pecado e ignomínia. Realmente já dizia as escrituras, se seus olhos forem maus, todo o seu corpo será mau. Voltou em si, já não estava mais sentado e nem tão pouco com o livro em mãos, estava em sua janela larga com vista arborizada e cumprindo um mandamento cristão: Olhando as aves do céu que mesmo sem plantar e colher o Pai que estava nos céus dava provisão. O não pecar daquele momento foi divino.

Machado de Assis


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Princesa e o Sapo




Acompanhando minha filha, assisti o filme da primeira princesa negra produzido pela Walt Disney - A Princesa e o Sapo - talvez em uma homenagem aproveitaram a boa fase do primeiro presidente negro norte americano.
Confesso que não gostei nada do filme, resumiram a cultura negra em "vudus" apenas. A história reconta o clássico conto de fadas, uma princesa beija um sapo para que ele se transforme em príncipe dando início ai a uma grande confusão, uma delas é a parte do vilão que tem muito tempo em cena apenas clamando aos amigos do "outro lado" (inferno) através de barganhas e engana as pessoas com jogos de cartas. O filme tem cenários escuros que caberiam bem para uma participação especial do Batmam. Mostra também (não se preocupem não vou contar os pormenores do filme, tão pouco seu final) o amor dos negros pelo Jazz, mas na verdade mostrando um som ridículo que nem chega aos pés do som de gigantes do Jazz como Milles e Coltrane, alguém pode perguntar: mas não é filme pra criança? mas desde quando tem idade para se ouvir um bom Jazz!
Francamente se quiseram divulgar a cultura negra através de seu passado africano e de sua participação fundamental na vida norte-americana com a música, fiquei decepcionado ainda mais depois de ver uma apresentadora do calibre da Oprah comemorar esta estreia que deixou com certeza a família Luther King muito feliz.
Ainda bem que o preço foi promocional e a Thalía só pagou meia...inté!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!!


domingo, 20 de dezembro de 2009

Pela manhã, silêncio!





Esta findando mais um ano e eu estou em casa, e já que é domingo, o dia escolhido para o descanso, me levantei e quis conferir algumas novidades na Internet que envolvem o que já não tem sido tanta novidade assim: a natureza esta doente! é meio que diz, vocês podem fazer o que bem quiserem mas ainda eu mando por aqui e la vem um vulcão nervoso, vento estupendo, chuvas diluvianas e o cataclisma nos deixa com aquele medo e soltamos as rédeas e clamamos a Deus por socorro.
Quando refletia sobre essas coisas me dei conta do ambiente maravilhosos que a natureza fazia se expandir em minha sala do meu apartamento. Passarinhos que sempre nos visitam pela manhã, cantam suas canções matinais de agradecimento pela vida, e eles não medem esforços para tal, aliás nunca vi um passarinho triste, nunca vi um passarinho piando meio que desafinado por estar estressado, realmente quanto mais vivemos mais temos que aprender com a natureza, não foi em vão que Jesus ordenou: Olhai as aves dos céus...
Uma coisa bem bacana na parte da manhã pra mim é o silêncio humano, posso ler, meditar e escrever sem ser interrompido por interfone , telefone ou até mesmo chamada pessoal. Tudo é convidativo para lembrar que não sou uma máquina de produção mas alguém nascido em um planeta com propósitos de ser feliz e gozar uma vida com paz, saúde e comunhão com aqueles que nos cercam como minha família que tanto amo e prezo agradecendo a Deus por me completar nesta vida com essas duas lindas que me acompanham.
Mas olha só que interessante, de repente meu silêncio foi quebrado por um senhor vizinho que todas as manhãs abre sua janela e solta os pulmões cantando bem alto músicas de louvores a Deus. Toda a manhã ininterruptamente lá esta ele, um senhorzinho bem simpático que nunca conversei com ele. Ja até mesmo imitei ele aqui em casa tirando gargalhadas da minha filhota e fico pensando quando sua hora chegar como vai deixar saudades, realmente a vontade de viver e a consciência de a Deus agradecer rejuvenece.
Hoje pela manhã, não só aprendi com os pássaros não, mas também com um homem de bem...
"Clara manhã, obrigado, o essencial é viver!" (Drummond)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Raul Bertrand


Se tem uma coisa que vale a pena ensinar aos filhos é que a vida não é nada fácil. Guimarães Rosa diz que a coisa não esta nem na saída e nem na chegada, mas sim na travessia e a historia que se vai narrar adiante, requer poucos detalhes já que de quem há de se falar teve uma vida simples, porém inundada de tal felicidade que nem um tal paraíso valeria como moeda de troca, muito menos de aposta já que tal vida vivida, impossível de ser renascida a não ser com as letras, foi algo maravilhoso apesar de faltar tudo, ou quase tudo.
Era de manhã, Raul Bertrand que apesar de nome de intelectual estava apenas na pré-escola, ia mais para aproveitar a merenda, pois tinha apenas uma refeição diária e poderia contentar-se com duas quando não faltava as aulas.
Aprendeu a escrever seu nome e sobre-nome, mas sempre a engolir o "r" do Bertrand, escrevia Betrand. A professora baixinha, de olhos puxados os ensinavam com paciência, dela ele não sabia o nome, e Raul nunca teve coragem de perguntá-lo pois no dia da apresentação pessoal da professora ele havia faltado devido uma forte chuva que tinha molhado bastante o solo paulista, não que isso era desculpa para falta, já que a escola ficava pouco mais de dez metros de sua casa, mas foi isso que aconteceu.
No caminho era interessante ver um carro de fórmula-1 que foi construído de areia, areia essa que era utilizada na reforma da escola, alguns vizinhos torciam o nariz mas quando viram a molecada que estava a disposição da arte benevolente, deixaram pra lá da implicância e logo comentavam: "até que ficou bonitinho mesmo".
No começo do projeto todos podiam por a mão na massa mas quando o negócio começou a ficar sério, somente cinco jovens se encarregaram de cuidar do tal automóvel de areia. Foi uma alegria só na rua ter visto o término da obra que foi batizado de AREIA-MÓVEL.
Tinha naquela época um campão de areia que reunia a turma do futebol, que ali ficavam na diversão, algumas crianças se dividiam um pouco no campão, outras no montarel de areia super visionadas sempre pelos maiores que agora tinha cercado o areia-móvel com pau e corda.
Tentaram em dias daqueles chamar o pessoal da televisão para propagar a tão grande obra de moleque, mas apesar da promessa nem sequer mandaram representante.
Raul era louco pra sentar no carro de areia, mas nunca podia já que sempre tinha um jovem adulto prometendo cascudos aqueles que se atrevessem a ultrapassar os limites impostos por eles que era demonstrado com corda e pau. Raul claro, preferia passar vontade a apanhar, mas naquele dia tinha coisa boa também, nem só de cascudos se vive a vida, e logo foi nosso amigo a escola.
O ambiente de aula estava bem desajeitada devido a reforma. Tinha até poça de água na sala, mas aprendíamos as vogais e nossas mãozinhas bem devagar faziam letrinhas quase que ilegíveis, mas aprendemos a escrever nome e sobre-nome.
Certa noite Raul teve uma idéia e combinou com seu amigo Fernando para que de noite lá pelas 10, saíssem a rua e fossem até o areia-móvel, e realizariam então o sonho de sentar no carro e seriam as únicas crianças a fazer tal ato. Lá pelas 10 horas conferidas no relógio grande e velho da sala, Raul saiu conforme combinado mas já se passavam 15 minutos e Fernando ainda não havia aparecido, ai foi que ele teve a idéia de jogar pedrinhas em seu quintal mas ficou com medo de acertar a janela e quebrar os vidros e desistiu depois da segunda tentativa. Começou então a assoviar quando de repente Fernandes respondeu com um assovio estranho que parecia mais um código-morse , o importante mesmo é que os dois se reuniram e deram então prosseguimento ao planejado. depois de alguns passos não acreditaram no que viram, e la estava o areia-móvel, só. A visão foi fantástica, nunca se tinha visto o areia-móvel assim sem ninguém por perto, seu olhos brilhavam muito, ele verdadeiramente era muito bonito e todos gostariam de tê-lo como se fosse de verdade, pena que não podia se locomover lamentavam alguns e lá estava Raul com seu amigo, era só pular a corda e pronto, estaria sacramentado, seriam os únicos que teriam sentados no carro e mais, sem cascudos.
Mas viram que nem sempre querer é poder, e tem coisas realmente que somente são para ser apreciadas, comida para os olhos, e foram acometidos de grande mistério, frio na barriga talvez e não tiveram tanta coragem e resolveram desistir e voltar.
Não estavam tristes por incrível que pareça, e nem ficaram comentando da atitude se foi certa ou errada, apenas voltaram felizes por terem visto o areia-móvel lá, diferente de todo mundo.
No outro dia, ao acordar pela manhã Raul foi a escola, não quis compartilhar com os amigos de sua aventura, preferiu ficar na sua, parecia mesmo que tinha sonhado e que aquilo tudo não passava de um devaneio.
Ao serem liberados da aula e quando chegou em sua casa, tinha uma vizinha que sempre os visitavam, e era bom porque ela levava sonho que ela mesmo fazia para comer-mos, quando ela me viu com a cartilha escolar na mão já foi logo perguntando:
- Você sabe ler?
Não esperei por nada e respondi logo:
-Sei escrever meu nome... nome e sobre-nome.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez."

-Gênesis 1:11

Otelando o ciúme


Talvez seria redundante falar em ciúmes citando Otelo, mas não é possível pulá-lo já que Shakespeare foi um reinventor da humanidade como dizem por ai deste simbolismo perpetuado do ciúmes que foi esta peça teatral. O ciúme não só atrapalha o bom andamento da saúde da comunhão, como torna também qualquer relação infernal. A bem da verdade todos nós seres humanos temos nossa Desdêmona...há, como temos.
Citando Rubem Alves ele explica de uma forma muito interessante o que é o ciume. Segundo o professor podemos imaginar você com sua amada em uma festa, e ela lá e você acolá. De repente você vê a sua amada com as costas desnudas numa roda conversando e naquele momento ela esta feliz sem pensar que você existe, você naquele momento não é necessário.
Realmente o ciúme dói.