quarta-feira, 30 de julho de 2008

TE DEUM


Talvez eu esteja mesmo obcecado por livros. Bom pelo menos foi isto que a Natalia disse. Estou com alguns na minha estante que ainda não li e continuo comprando os que me chamam a atenção, sem contar aqueles do qual eu já li no mínimo quatro vezes. O que seria de mim sem as releituras... Já fui obcecado por gibis na infância, bicicleta, futebol e CDS também, cheguei a contabilizar 500, não faltavam as cópias dos importados que eu tratava de arrumar com amigos músicos. Estilos? Não muito variáveis, iam do jazz à bossa nova. Músicos como Pat Metheny que me faziam rejubilar com seus solos aveludados. Amava também os solos de Milles Davis, se tivesse três ouvidos deixá-los-ia a disposição daquele trompetista que sem duvida é único. Alias o jazz e a bossa-nova é uma combinação perfeita quando craseados. Já fui também obcecado por atacar as cordas do violão e da guitarra, horas e horas para impressionar alguém que me visse tocando, e também é claro, por ser ópio para minha alma.
Mas para não perder a fama, fui a uma livraria esta semana no Center Norte a procura do livro do Bonhoeffer, mas ao me deparar com alguns do Rubem Alves logo me dei o trabalho de ler ali mesmo um dos seus. Sentei-me no chão acarpetado da loja e viajei bem ali, nas estórias do Alves, que segundo ele, as idéias lhes aparecem como pássaros e ele se faz então um fotógrafo, e fotografa o que vê com as palavras. Quando dei por mim já estava na hora de ir embora e dei cabo da missão D. Bonhoeffer, mesmo por que, só seria possível um livro seu por encomenda segundo o atendente. Fui-me embora e lembrei no caminho que meu irmão tinha comentado que estava com um livro do pastor luterano em sua casa, parti então apressado em busca do alemão. Realmente foi o que aconteceu ele tinha a obra e não pensou duas vezes em me emprestar garantindo que eu gostaria muito do volume. Deus seja louvado!
Bonhoeffer foi pastor e teólogo luterano, em 1918 seu irmão Walter sofreu ferimentos devido à guerra, vindo a falecer pouco depois. A morte do irmão trouxe muita consternação para sua mãe que passado três anos entregou a ele a mesma Bíblia que seu irmão Walter havia ganhado em 1914. Bonhoeffer então passou a usá-la pelo resto da sua vida tanto em suas meditações bíblicas e nas reuniões cristãs.
Foi mentor de um movimento que se chamou “Declaração de Bremen”, o qual se iniciou em 1934. Com este movimento o ministro Dietrich reuniu diversos pastores a desafiarem o nazismo rejeitando-o.
Seu lema era: "Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado é o nosso único Salvador".
Ele também chegou a tramar a morte de Hitler dizendo: "É melhor fazer um mal do que ser mal".
Quando preso pelo regime nazista escreveu em um domingo de Páscoa a seus pais em abril de 1943 dizendo:
“Continuo bem, estou com saúde, todo dia posso ficar meia hora ao ar livre; esqueço ás vezes por um breve lapso de tempo onde me encontro de verdade. Estou sendo bem tratado, leio muito, além do jornal e de romances, sobretudo a Bíblia”.
Dietrich Bonhoeffer quando ainda preso sob a acusação de ajudar judeus a fugirem para a Suíça, foi enforcado em 9 de abril de 1945, pouco tempo antes do suicídio de Hitler. Junto com ele também foram enforcados seu irmão Klaus, e cunhados Hans Von Dohnayi e Rudiger Shleicher.
Este herói escreveu muitas cartas na prisão, seu martírio é considerado um tesouro aos cristãos e tem um memorial em sua homenagem na cidade de Wroclaw na Polônia.
TE DEUM!!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Secularização??



“Bastantes vezes a aparência externa carece de valor. Sempre enganado tem sido o mundo pelos ornamentos”. (Bassânio – Shakespeare, O mercador de Veneza).

Esta existindo uma secularização ampla de minha parte, não se sabe o porquê, mas vi que estava cético ao meu ponto de vista. Estive esta semana no zoológico e depois de ver alguns animais como tigre, leão, macacos de vários tipos, algumas palavras como vida e criação de Deus, tomaram formas corpóreas em minha imaginação me deixando estupefato e muito perplexo, haja vista que ultimamente tenho me relacionado tanto com o materialismo e acabei esquecendo como muito dos seres humanos da busca pelo “Absoluto”. Nos dias em que cada vez mais ficamos dependentes da tecnologia que é como a misericórdia divina - se renova a cada manhã – fica difícil absorver o sermão de Santo Agostinho que nos conscientizava da nossa dupla cidadania estando nós na cidade dos homens aguardando a eternal mansão que é a cidade de Deus.
Estava com as duas mãos tomadas pelo volante guiando meu veículo, mas os pensamentos livres começaram a brotar no que eu ficava me concentrando ultimamente além do trabalho, dirigir (meus percursos variam entre 45 á 55 km diários), ler, etc. Comecei a fazer uma lista dos últimos livros em que eu havia lido e logo me vieram na memória os livros de romance (principalmente os machadianos), contos e teatro. É impossível falar de teatro sem mencionar Shakespeare. Assim como hidrogêneo e oxigênio estão para a água assim também este Shakespeare está para a obra teatral.
Aprendi com ele que não sou um e.t. e que por mais complexo que possa ser minhas crises internas que se dá por meu existencialismo a vaidade me torna um ser humano como qualquer um, cheio de crises.
Macbeth, peça shekesperiana que foi escrita por volta de 1605 e 1606 me mostrou que o drama do poder, traição da culpa e cobiça que um dia só não bateu na minha porta, mas também faz parte das taras carnais e já dizia as Escrituras Deus falando a Caim: ... ”Eis que o pecado bate a porta, mas a ti cumpre dominá-lo”.
Já com Otelo, monumento histórico do ciúme, Shakespeare perscruta e descobre mais um substantivo abstrato nos porões da alma humana, O mouro militar de Veneza até parece ter copiado muitos de meus despeitos!
E o que dizer então de Hamlet que nos questiona a pergunta x da questão:
“Ser ou não ser? Eis a questão”.
O cobiçoso Ricardo III (governou a Inglaterra de 1483 – 1485) mostra o que o homem é capaz de fazer com mentiras e intrigas, tudo por poderes políticos.
E o poder da palavra em Júlio César, peça esta que eternizou a frase:
“até tu Brutus”...
Henrique V o monarca inglês que tenta impor paz interna sobre a Inglaterra e autoridade a monarquia. Participa da batalha que é chamada de Guerra dos cem anos (que na verdade duraram 116 anos) que ocorreu entre 1337 – 1453.
Outra tragédia que também serviu de escola para mim foi “O rei Lear” que põe em questão se verdadeiramente as pessoas que nos cercam realmente nos amam ou são somente adeptos da barganha e do egoísmo interesseiro.
“O amor esfria, a amizade se rompe, os irmãos se dividem. Na cidade, revoltas, nos campos, discórdia; nos palácios traição; e se arrebentam os laços entre pais e filhos.” (Rei lear)
Como aprendi com este dramaturgo, que me expôs através de seu palco as minhas imperfeições trancafiadas no porão obscuro de meu ser. Descobri que suas peças também são espirituosas e bem atuais.
Espero não me esquecer de que sou composto por uma tricotomia (corpo, alma e espírito), e lembrar que carece sim uma atenção maior para esta. Já a secularização, é bom deixarmos um pouquinho de lado, priorizando a cidade de Deus, por estarmos já tão familiarizados com a cidade dos homens.

“O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. (Provérbios 1:7)

“Vaidade de vaidade, diz o Pregador, vaidade de vaidade, tudo é vaidade”. (Provérbios 1:2)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Velejo na maionese

Dei-me por mim já estava acordado, óbvio. Levantei com fé é claro sem me questionar se conseguiria ou não. Já dizia o filósofo dinamarquês Soren kierkegaard: “Quem fala que não toma decisão, já tomou”. E assim prossegui para mais um dia. Fui até a janela e me deparei com o sol que acabara de render a lua que se encontrava em atalaia desde ás 06h00 de ontem. E, diga-se de passagem, na noite de ontem reparei que ela estava grávida. Ou engordou um pouquinho? Bom, sei lá também, coisas da minha cabeça. Basta dizer que ela estava cheia mesmo. Assim soa melhor. Mas uma coisa é certa, deve ser muito bom ser lua em noite de luar. Prossigamos...
Já com um capuccino preparado e quente em mãos me sentei no sofá e me perdi em meus pensamentos, alguns eu nem me lembro agora outros tinham a ver com as coisas do dia-a-dia: dinheiro, saúde, sair para lavar o carro, etc.
Mas claro, lembrei de filtrar todos eles e minuciosamente fui perscrutando meu próprio eu, é interessante isto por que o pensamento torna-se ações, as ações tornam-se hábitos, os hábitos em caráter que por sua vez se tornará seu destino. E quantos na história se perderam por dar início ao um simples aforismo infame.
Gosto dos livros por serem bons amigos e me ajudam a exercitar o cérebro para ter também boas memórias e bons pensamentos (não se esqueça o cérebro também é um músculo e precisa ser exercitado). Freud falava que não lia somente livros da moda em sua época e que sim o importante era se o livro estava sendo a ele um bom companheiro. Aderi sua opinião levando em conta o dito popular que diz: “Diga-me com quem tu andas e eu te direi quem tu és”. Sendo assim sim. Veja só:
“Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim - embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e política para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação (...)”.
Eis ai uma frase machadiana. Claro que não devemos levar a vida como o finado Brás Cubas de forma leviana, mas não me prendo mais no passado, o pensamento célere e em velocidade da luz nos acomete de tristezas ou então de coisas fúteis que só nos deixará assim, na bagatela, sem andar sem voltar já que não podemos fazer nada para alterá-los, perdemos tempo e ficamos presos por um simples refletir que muito provável terá toda uma influência em nosso caráter nos próximos amanheceres.
O pensamento, o adágio, o aforismo, não importa o adjetivo, o que importa de verdade é que nossos pensamentos expressados através das palavras se transformem em atitudes libertadoras tanto de nós mesmos quanto do próximo. Tome uma atitude, ainda há tempo!
“Eis os segredos dos fortes: Ser aliado da vida”. (Nietzsche)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Assim falou o pai do existencialismo...


Existem três esferas da existência: A estética, a ética e a religiosa.
(Soren Kierkegaard)

Assisti ao filme A festa de Babette de Gabriel Axel. O filme narra uma comunidade protestante/luterana que conta a estória de duas irmãs pietistas filhas de um pastor responsável pelas reuniões religiosas no vilarejo. A vida destas duas irmãs nunca mais é a mesma depois que chegou em suas residência a generosa Babette. Além da fome que tive podendo ser comparada a de Esaú, já que Babette era uma renomeada cozinheira, lembrei também do filósofo Kierkegaard. A cena do filme se desenrola depois de 1971 é um período mais tardio da época do filósofo que morreu em Novembro de 1955, mas por ser na Jutlândia (País do clã de Kierkegaard) foram inevitáveis as memórias póstumas.
Do ponto de vista estético não fica difícil imaginar-mos o nosso mundo que nos rodeia. Quando não somos nós, vemos pessoas e mais pessoas satisfazendo suas vontades próprias baseando-se no imediatismo, é a turma do micro-ondas, basta à imaginação se unir com a vontade e pronto. Não importa quem afete ou se irá trazer danos no amanhã, o importante é a diversão eficaz máxima do prazer instantâneo. Ou seja, seus projetos se atrelam em receitas de miojo. O imediatismo, aliás, é o que tem feito jovens ou adolescentes ficarem grávidas sem preparo algum. O imediatismo tem feito pessoas a usarem o cartão de credito como remédio depressivo se afundando cada vez mais comprando o que não precisa com o dinheiro que se não tem. E o que falar então da ação imediatista de Afrodite que foi se intrometer onde não havia sido chamada e acabou tomando uma flechada. Atos impensados. Fruto do imediato...
Chama-me a atenção nas Escrituras Sagradas, quando YAHWÉH chama o patriarca Abrão para uma terra que ele não conhecia, dizendo que lhe daria tal terra por possessão e que faria dele uma infinita nação. Pois é, Deus hiperbolicamente falando manda que ele conte as estrelas do céu dizendo que tal número seria sua descendência. Com certeza o pra já de Abrão que depois o Senhor passou a chamar de Abraão não podia vir à tona. Sua mulher espera noventa anos para ter o primeiro filho que ao crescer se casa e descobre que sua mulher era estéril. Bom também se fosse o homem estéril não dava para saber já que a medicina da época não era tão avançada, as pobres mulheres teriam que pagar o pato, infelizmente. O neto de Abraão Jacó ou Israel trabalha por quatorze anos para seu futuro sogro visando obter a mão de sua amada, e descobre então que a moça também era infértil. Ainda bem que Abraão não foi estético a ponto de não saber esperar por que através da sua descendência veio o Cristo.
Agora veja bem, se você consegue fazer seus atos e vontades respeitando a forma do dever, ou seja, como diz nos evangelhos: construir sua casa sobre a rocha levando em conta que tal casa é sua personalidade, você tem sido uma pessoa ética, que respeita o consenso. O ético admite que o errar é humano.
Se o ético reconhece que suas atitudes errôneas inevitáveis são faltas de conformidades com a lei moral de Deus, e então passa a ter a necessidade de arrependimento, sendo assim ele pula para o estádio religioso, pois só através da morte do Cristo é que temos remissão por nossos pecados.
Aos céticos, niilistas e amantes da filosofia fica aqui exposto o comentário de Charles Lê Blanc a respeito de Soren: "Kierkegaard lembrou que a Grécia não é a única fonte de nossa sabedoria e que ao lado de Atenas, se ergue magnífica, a Jerusalém de ouro".
Religiosidade não. Haja vista que foi somente com estes que Cristo teve problema. Mas o religar-se a Deus é algo que precisa ser feito por todos, visando um mundo melhor, não obstante, se não formos fido, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a Si mesmo.
Soli Deo glórie!

domingo, 13 de julho de 2008

"frases feitas para cucas frescas"


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"Outros deuses eram fortes; mas Tu fraco tinhas de ser;
A caminho do trono cavalgaram, mas Tu tropeçaste ali;
Nossas feridas apenas Deus pode entender,
E nenhum deus tem ferimentos além de Ti".
(Edward Shillito)

"Aquele que não pode perdoar destrói a ponte sobre a qual ele mesmo tem de passar".
(George Hebert)

"Sabedoria é usar o conhecimento de forma que o mundo se torne um lugar de felicidade".
(Rubem Alves)


"Sabemos muitas palavras, mas ignoramos a PALAVRA"
(T.S. Eiot)


"Mas poderei eu levar para o outro mundo o que me esqueci de sonhar? Esses, sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver".
(Álvaro de Campos)


"...É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas..."
(Carlos D. de Andrade)


"A soberba transforma homens nobres em pecadores"
(Aristóteles)


"Por que dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória e eternamente. Amém".
(Romanos11:35)


"Tarde te amei e beleza tão antiga e tão nova, busquei você fora de mim, e você estava dentro do meu coração".
(Sto. Agostinho)


"O Deus de poder, enquanto percorria em sua majestosa roupagens de glória, resolveu parar; e assim um dia Ele desceu, e pelo caminho se despia".
(George Hebert)


"A fé não brota do milagre, e sim o milagre da fé".
(Dostoievski)


"Fragilidade. Seu nome é mulher".
(Shakespeare)


"Ó graça momentânea dos homens mortais, que nós procuramos mais do que a graça de Deus".
(Shakespeare - Ricardo III)


"Mas pode aquele que tem o vinho desejar a uva?"
(George Hebert)


"A qualidade da misericórdia não esta deformada.
Cai como a mansa chuva vinda do céu...
E o poder da terra vai então mostrar-se como o de Deus,
Quando a misericórdia tempera a justiça.
(Shakespeare - O mercador de Veneza)


"Deus não quer mais amar do céu,
Ele quer amar através de você".
(Pr Ricardo Gondim)


"O verdadeiro amor é sincero e desinteressado. Não tenho medo de ser, por isso, minoria. O trabalho mais eficaz sempre foi feito por minorias".
(Mahatma Gandi)


"O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons".
(Martin Luther King)


"Ora, tu deves uma morte a Deus".
(Shakespeare - Príncipe Hal)


"As mais belas jóias, sem defeito, com o uso o encanto perdem".
(William Shakespeare)


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sábado, 12 de julho de 2008

Vida!!

Viver sem a vergonha de ser feliz... Acho que vocês já ouviram essa frase cantada sobre uma melodia, mas afinal o que é a vida? O sopro do Criador? Apenas uma reprodução humana?
Vamos ler o que nos diz o velho e bom Aurélio: "Vida: O espaço de tempo que vai do nascimento á morte; existência".

Hoje ao parar em um farol neste ínterim entre nascimento e morte, me deparei com um malabare circense (provavelmente desempregado) chamando a atenção dos motoristas em troca de uns trocados. Nos poucos segundos que fiquei olhando comecei a imaginar as dificuldades que um ser humano tem para manter o equilíbrio da vida. É, é verdade, fiquei imaginando cada bolinha daquelas como uma situação da vida, já não era mais o artista compenetrado nas bolas contando, imagino eu, o tempo para ter como pegar o custo do entretenimento caso alguém se propusesse claro, já que arte em nosso país é tão desvalorizada, imaginem em um farol de São Paulo em que as pessoas não querem se divertir mas somente chegar. Mas me via ali naquele instante como aquele homem, e as bolas da vida iam passando em minhas mãos, essas que são sinônimos de domínio e controle, eu ia com todo o cuidado e atenção para não deixá-las caírem.

Imaginem a bola da higiene pessoal caindo ao chão. Sem poder ouvir Chico Buarque devido tanta cera? Mil vezes não! Seria comparado a um andarilho mal cheiroso e teria que abdicar de vários relacionamentos de amizades afinal quem quer debater de futebol com um mal cheiroso, só repórteres desportivos que adoram falar com homens com cheiro de atleta que correu por mais de noventa minutos. E se então eu deixasse cair a bolinha das finanças? Meu Deus!! O telefone que ainda fala não vai parar de tocar e arrumarei varias tietes perguntando quando vou poder dar "atenção" a eles e/ou elas. Podia também este corpo esférico que leva em si o substantivo abstrato "honestidade" cair sobre o chão de terra, do qual todos viemos e um dia voltaremos, não obstante, nos nivela por igual a tal da honestidade. Já pensou deixar "ELA" cair? Vida dura, bendita, mas que dita dura.

Quando me dei por mim já estava bem longe daquele farol, fui sem pagar o moço malabar que me fez refletir bastante com sua arte, a única coisa que me certifiquei foi ver se não havia bolinhas caídas ao lado dos meus pés, já isto não vou poder revelar por ser subjetivo, não me considero avaro, também não sou pródigo apenas pago o preço, o preço de ser honesto. Que constante equilíbrio é a vida.

Tudo o que sai da alma é arte!!


"Tudo aquilo que sai da alma é arte". Já diziam os artistas na era do humanismo.

C.S. Lewis diz que nós não temos uma alma, e que sim, somos uma alma e temos um corpo. Concordo! Sendo assim podemos concluir que somos então arte.

A arte através da cultura faz com que façamos um mundo melhor trazendo para nossos relacionamentos diários alegria e prazer.

Podemos juntar todas as artes e agradecer a Deus através dos dons e talentos embutidos em cada ser, lembrando que nossas expressões culturais é um presente de YAHWÉH e são também ferramentas preciosas a favor da não violência.


"Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos."

Martin Luther King