sábado, 25 de outubro de 2008

*music*



Iniciei o gosto pela música aos 15 anos. Quando menor, via pessoas que tocavam em uma igreja na qual eu freqüentava e com meu ouvido primitivo para música não conseguia entender por que o rapaz que tocava a “guitarra” de quatro cordas grossa (contrabaixo), mau se conseguia ouvi-lo, ou seja, queria saber por que ele “dublava” apenas...
Quando atingi os 15, resolvi então tomar coragem e ser um músico de verdade. Fui até um vizinho que vendia seu violão que tinha sido pintado por uma tinta óleo e então arrumei um professor de violão... eu mesmo... na verdade eu quis me enganar estudando métodos do Instituto Nacional Brasileiro e pensei que aprenderia tocar violão por correspondência. Ai que dó daqueles pares que tiveram a mesma “brilhante” idéia. O tempo foi passando e eu fui progredindo com aulas particulares com pessoas de verdade ao invés de desenhos de acordes que já são difíceis com uma pessoa de carne e osso te ensinando, imaginem então uma figura.
Logo depois de comprar uma péssima guitarra “Tonante” lá fui eu me esconder atrás do rock e aprendi o acorde supremo do metal: O bordão (acorde formado pela tônica e a quinta nota da escala musical). Achei que tinha descoberto o mundo. Quando passei desta fase resolvi de forma escondida de meus amigos roqueiros que diziam ser adeptos do estilo pelo resto de suas vidas (alguns hoje ouvem até sertanejo) colocar uma notinha a mais. É verdade resolvi colocar a terça nota, foi aí que comecei a usar destas três notas para tocar Engenheiros do Havaí, Para lamas, Barão e outras coisas mais...
Descobri que assim como existe o sexo masculino e feminino a terça nota de um acorde é quem decide se o tal é o macho ou a fêmea. Parafraseando, quando o acorde é maior a teça é maior e quando menor a teça por sua vez também é menor. Só tem um acorde que não tem isso: É o chamado “sus4”. Esta harmonia pode ser aplicada entre maior e menor, assim como o do rock, o bordão.
Passado algum tempo fui ficando velho e aquele que delirava com o acorde formado com tônica e quinta distorcida passou a usar agora a7ª nota quando também com a ajuda da 9ª. Veio então a vontade de tocar bossa nova e fui então mergulhar em Tom Jobim, que máximo.
Minhas experiências musicais tiveram fim quando resolvi tocar jazz. No jazz podem-se usar todos os acordes aqui mencionados, até o bordão. A tríade de tônica, terça e quinta passam a ser tônica, 7ª e 9ª. E quando resolver fazer solos de improvisação tem uma escala para cada acorde, diferente do blues que em cima da base você pode ficar horas na mesma escala em diferentes acordes, o rock então nem se fala. Tive que parar por aqui, pois não consegui acompanhar esta linguajem jazzística em que os instrumentos conversam entre si levando o ouvinte as mais intensas emoções. Há... Milles Davis; quem o superará?
O difícil para mim é que quero colocar a música dentro de mim enquanto músicos do calibre de Davis, Coltrane, Helio Delmiro já têm a música dentro de si, tendo apenas que ter o instrumento para mostrar este dom maravilhoso que é a música.
Música. Use e abuse!

domingo, 5 de outubro de 2008

O pão

Todo mundo tem um caso de amor com pães. Não importa se é italiano, francês, ou de qualquer procedência, o que importa é que o pão encanta, alimenta e deixa qualquer um feliz da vida. Aliás, não deveríamos dizer vou à padaria, mas sim vou a pão-daria. Pena que nem todos têm esta visão fantástica que é o pão. Já ouvi até mesmo uma moça elogiar um rapaz dizendo: “Que pão”. Os gostos por ele são dos mais variados: “moreninho”, “os cascudos, por favor”, “bem clarinhos”, assim pede o freguês com saliva na boca aguardando a atendente do padejo.
O próprio Dostoievski reconhece este deleite quando ao prefaciar seu famoso romance “Os irmãos karamazovi” inicia com o texto das escrituras:
“Em verdade, em verdade vos digo: a semente de trigo, caída na terra, se não morrer, ficará infecunda, mas, se morrer, produzirá muitos frutos.” (João 12.24)
A bíblia mostra que a popularidade de Jesus aumentou em uma proporção bem maior quando Ele depois de abençoar cinco pães e dois peixinhos da início ao famoso milagre: A multiplicação dos pães. Se bem que o milagre maior foi um rapazinho que se encontrava no meio da aglomeração dividir o pão, ninguém quer reparti-lo, e isso é triste pois o pão que não é compartilhado perde sua essência, e não obstante, seu sabor.
Jesus falou também mais tarde do pão. Já havia multiplicado a hóstia por duas vezes. Este milagre que não pode ficar em uníssono teve que ter os bis a pedido da platéia judaica. Ficou tão famoso que é o único milagre na bíblia inteira que consta nos quatros evangelhos. Ou seja, nenhum se rendeu a esta delícia e teve que constar, pois onde a pão, ali a alegria.
Jesus ao ser tentado foi lhe oferecido o que tem de melhor nesta terra: O pão! Transforme esta pedra em pão! Ah... que tentação. Mas preferiu esperar e depois de algum tempo fez uma declaração sabendo como é maravilhoso este alimento, vejamos:
“Disse Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome...” (João 6:35)
Passado algum tempo as pessoas começaram a abandoná-lo, pois queriam que o reino de Deus fosse fundado aqui na terra e aliviaria o sofrimento que era imposto pelo império Romano. Mas Cristo sempre deixou claro que seu reino era espiritual e que no céu haveria o maná, o pão dos anjos. Que pena que não esperaram para tal. Mas mesmo apresentando um reino espiritual, Jesus mostra a importância da matéria também, e diz que todo aquele que comer do pão que é entregue na eucaristia, estará simbolicamente comendo seu corpo, lembrando de seu sacrifício pela humanidade.
Em seu sofrimento na cruz não lhe deram pão, logo ele que nunca havia negado para ninguém. Foi morto só por que quis dar o sustento da vida para a humanidade, como esta história é cíclica nos mostra que até hoje não podemos ter o pão de ninguém, pois a vaidade não permite a nenhuma pessoa reparti-lo, fazendo que nós deslembremos de partilhar como aprendemos com o filho de Deus.
A história bíblica tem um final feliz que se chama terceiro dia. Antes de subir aos céus após sua ressurreição, o Cristo aparece para alguns dos discípulos junto a um mar que se chamava Tiberíades na Galiléia, e, após ser reconhecido não podia faltar, claro, o bendito. O evangelho de João relata: “Veio Jesus e tomou o pão...”.
Que pena que naquela época não existia chapa quente.